Crescimento para quem?
Nesse passo, um projeto de desenvolvimento, além das metas de crescimento econômico, de geração de renda ou redução da pobreza, requer a inclusão de mudanças das instituições, de mecanismos de envolvimento da sociedade e de participação social e de transformação cultural em que as práticas tradicionais da cultura política sejam substituídas por formas democráticas e participativas de gestão da coisa pública.
Os cambebistas, em 20 anos, não implantaram as ações necessárias que mudassem tais instituições e práticas, tão nefastas ao desenvolvimento do Ceará. Após todos esse anos, permanecem as velhas oligarquias que já foram denominadas de ”forças do atraso” pelos cambebistas, mas que hoje são seus principais aliados, garantindo as estratégias de tentativa de perpetuação no poder.
Eles ressaltam os aspectos econômicos de crescimento, mas omitem o aumento e a permanência dos desequilíbrios socioeconômicos. Em 1987, o setor industrial possuía uma participação de 29,1% na composição do PIB estadual, saltando para 37,3% em 2002, enquanto a agropecuária cai de 17,2% para 6,6%, nesse período, e é responsável 32,2% da PEA estadual.
Essa política foi responsável pelo crescimento do desemprego nas comunidades de economia dependente da produção agrícola e, conseqüentemente, pela intensa migração rural no sentido das cidades em que se destaca a região metropolitana de Fortaleza, aumentando o número de famílias pobres que demandam por melhores condições de vida e oportunidades de trabalho.
É evidente que esse modelo já apresenta mais do que sinais de esgotamento. Aponta nitidamente para o seu fracasso. A principal tarefa do próximo governo é implantar um modelo diferente desse.
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