PT e governo reagem às tarifas dos EUA e defendem a soberania brasileira
Senadores classificam medida como arbitrária e defendem resposta firme do Brasil em defesa da soberania e dos interesses nacionais
Fonte: PT no Senado
Foto: Agência Brasil
Senadores do PT reagiram à decisão do governo dos Estados Unidos de impor tarifas de 25% sobre produtos brasileiros e afirmaram que a medida representa um ataque à soberania nacional. Os parlamentares defenderam a resposta do governo brasileiro, que repudiou oficialmente a decisão e reafirmou disposição para negociar sem abrir mão dos interesses do país.
Para Teresa Leitão (PT-PE), líder do governo no Senado, o Brasil esgotou todas as tentativas de negociação antes da adoção das tarifas e continuará priorizando a defesa da soberania nacional.
“O governo do presidente Lula agiu com responsabilidade e diplomacia, buscando o diálogo e a negociação até o último momento para evitar a adoção de tarifas unilaterais. Diante da ausência de justificativa técnica para a medida, a prioridade seguirá sendo defender a soberania nacional e preservar os interesses das famílias brasileiras. Infelizmente, o Brasil se depara com um episódio político, que é resultado da ação de oportunistas que usam o nosso país como instrumento para atender a projetos particulares”, criticou.
O senador Humberto Costa (PT-PE) classificou a decisão norte-americana como política e ideológica. Ele destacou que o governo brasileiro apresentou informações e documentos para demonstrar que não houve mudanças na política comercial em relação aos Estados Unidos, mas isso não foi suficiente para reverter a medida.
“Essa decisão dos Estados Unidos é estapafúrdia e absolutamente sem base na realidade. É uma decisão política e ideológica de Trump, em consonância com o que pleitearam os Bolsonaro. É, ao fim e ao cabo, uma tentativa de ataque à nossa soberania, ao nosso PIX, à nossa política de segurança pública. Não retrocederemos”, destacou.
O senador Jaques Wagner (PT-BA) também criticou a decisão dos Estados Unidos e direcionou ataques ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), a quem acusou de agir contra os interesses nacionais. Para o parlamentar, é inaceitável que lideranças políticas brasileiras incentivem medidas que prejudiquem o país.
“Vergonha, muita vergonha. Os Estados Unidos fazem o jogo dele, botam o tarifaço e impõem restrições ao nosso país por conta da criatividade da nossa gente que criou o Pix, que é um sucesso mundial. A vergonha é um cara que é candidato a presidente da República, filho de um ex-presidente, ir pra lá lamber o chão, pedir para punir o Brasil e dizer que é culpa do presidente Lula”, criticou.
Na mesma linha, o senador Rogério Carvalho (PT-SE) afirmou que a imposição das tarifas não encontra respaldo jurídico ou comercial e defendeu que o Brasil preserve sua capacidade de negociação sem abrir mão da defesa dos interesses nacionais.
“Não existe qualquer base legal ou comercial que justifique a imposição dessas tarifas contra o Brasil. Defender o PIX, proteger nossa economia, nossos empregos, o livre-comércio e a capacidade produtiva nacional é defender o Brasil. Soberania não se negocia”, enfatizou.
Em nota, o governo do Brasil repudiou a decisão dos Estados Unidos e afirmou que a data “passará para a história das relações entre Brasil e EUA como um marco lastimável”.
O Executivo sustenta que não existe justificativa para medidas unilaterais contra o Brasil e lembra que, segundo estatísticas do próprio governo norte-americano, os Estados Unidos acumularam superávit de US$ 424,5 bilhões no comércio de bens e serviços com o Brasil nos últimos 15 anos.
A nota também destaca que, em 2025, 76% das importações provenientes dos EUA entraram no Brasil sem pagar imposto de importação, enquanto a alíquota média efetivamente aplicada aos produtos norte-americanos foi de 3,1%.
“O Brasil não reconhece a legitimidade de investigações sem amparo nas regras multilaterais de comércio. Apesar disso, nunca deixamos a mesa de negociação para defender os interesses nacionais”, afirma o documento.
O governo brasileiro também rebateu as críticas norte-americanas ao PIX, à regulação das plataformas digitais e à política ambiental brasileira. Segundo a nota, o sistema de pagamentos instantâneos “é um patrimônio do nosso povo e referência internacional de infraestrutura pública digital” e o país não abrirá mão de proteger a população nem de combater crimes ambientais.
“Proteger a nossa soberania é uma obrigação que está acima de todos os partidos e todas as tendências. O governo brasileiro não vacilará em seu dever de preservá-la”, finaliza a nota do governo do Brasil.
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