‘Somos todos filhos de Sônia Braga, a dirigente do PT do Grande Pirambu’

20/03/2026

Em artigo, filho se despede emocionado de militante petista e faz um paralelo da sua vida com as conquistas dos governos do Presidente Lula

Fonte: PT
Foto: Divulgação

*Nonato Nascimento

No dia 13 de março de 2026, uma das estrelas mais brilhantes do Partido dos Trabalhadores e das Trabalhadoras se encantou. Ao tornar-se ancestral, segue como presença viva na memória e no cotidiano militante de muitos de nós, que hoje nos mantemos organizados nas diversas instâncias do PT e comprometidos com as diversas lutas do movimento popular.

Sônia Braga foi uma dirigente política com trajetória marcada pelas lutas populares organizadas no Bairro do Pirambu em Fortaleza no Ceará, ainda na década de 1960. Sua atuação foi decisiva para a formação de lideranças comunitárias que estiveram à frente de diversas mobilizações e lutas pelo direito à terra e pelo acesso à água, ao esgoto e ao calçamento, direito a dignidade. É nesse contexto de luta popular comunitária que foi forjada uma das mulheres mais importantes da luta popular e do PT no Ceará. Todos nós temos muito a dizer sobre seu papel político na formação de toda uma geração; temos muito a dizer sobre os frutos da luta comunitária no Pirambu e no Ceará.

Dito isto, gostaria de afirmar: sou Nonato Nascimento, filho de Sônia Braga. Nasci em 1991, na Rua Felipe Camarão, no Pirambu, em uma casa de um cômodo. Fui criado por minha avó, Ana de Oliveira, e por Sônia Braga. Nasci em uma casa sem reboco, sem banheiro e sem luz. Sei o gosto da fome, mas aprendi desde cedo que a casa era o bem mais precioso que tínhamos, foi fruto da luta comunitária. Minha avó fazia
questão de contar que participou de muitas reuniões e de lembrar o dia da ocupação, Sônia Braga estava lá. Essas são lembranças que marcam minha primeira infância. Em meio a tantas dificuldades, eu percebia que minha avó andava sempre com muitas mulheres que estavam em movimento por melhorias para a comunidade. Havia o sentimento de que as coisas iam melhorar, de que iam mudar se estivéssemos
organizados.

Acompanhava minha avó quando ela ia às reuniões na Federação do Movimento Comunitário do Pirambu (FEMOCOPI). Em um desses encontros, percebi que havia uma mulher que chamava muita atenção, e todas as pessoas sempre a buscava para resolver questões importantes da comunidade. As questões que minha avó tratava com Sônia Braga eram, muitas vezes, sobre comida, era sobre nossas dificuldades do dia a dia, era muito difícil criar dois netos.

Apresento essas memórias para falar do perfil militante e dirigente de Sônia Braga. Ela conhecia casa por casa no Pirambu, sabia das dificuldades de cada família. Foi uma mulher profundamente respeitada, querida e admirada por famílias inteiras que, graças à sua ousadia e firmeza, conseguiram morar com dignidade em meio às muitas desigualdades sociais que marcam a vida da classe trabalhadora.

Descobri quem era Sônia Braga aos 11 anos de idade, quando também conheci o Partido dos Trabalhadores. Lembro de Sônia Braga chegando lá em casa com material de campanha do Presidente Lula e afirmando que as coisas iam melhorar para nós. Minha avó saía todos os dias conosco para entregar o material de campanha de porta em porta, dizendo: “agora as coisas vão mudar, quem disse foi Sônia Braga”. Ela tinha
esperança, porque Sônia Braga era, para ela, um sinal de esperança.

Em outubro de 2002, o Presidente Lula realizou um grande comício no Pirambu, e toda a nossa gente estava lá, com bandeiras na mão e a estrelinha no peito. Foi seu exemplo pedagógico e sua presença comunitária que encantaram toda uma geração. Somos filhos de Sônia Braga, a dirigente do PT do Grande Pirambu.

Sônia Braga esteve em nossa casa quando conquistamos o acesso ao banheiro, algo que antes não tínhamos, assim como muitos dos nossos vizinhos. Esteve presente no nosso processo de cadastramento no Programa Bolsa Família. Foi nos visitar quando conseguimos acesso à luz em nossa casa. Esteve conosco no almoço quando minha avó comprou nosso primeiro fogão e nossa primeira geladeira. Escrevo este artigo em meio a muitas lágrimas e lembro que, em 2002, Sônia Braga disse à comunidade: “minha gente, bote fé e diga Lula”. A comunidade depositou toda a sua fé em Sônia Braga e no Presidente Lula.

Essas são memórias para falar dessa dirigente que soube conduzir e formar três gerações de militantes de base comunitária. Sua principal lição era que precisávamos saber nos comportar como dirigentes em qualquer espaço a que tivéssemos acesso. Não se tratava apenas de ocupar instâncias do Partido dos Trabalhadores ou coordenações no Movimento Popular, mas de ser exemplo pedagógico na comunidade.

Outro fato que marcou minha memória foi uma reunião que Sônia Braga realizou no Pirambu, em 2005, para falar de como os ricos estavam insatisfeitos com as nossas pequenas conquistas. Falou do papel do PT nessas conquistas e de que o partido era nosso, e que a missão daquele momento era defender o PT e o Presidente Lula. Lembro que, depois dessa reunião, muitas outras foram organizadas nas casas de
lideranças, nos espaços culturais do Pirambu e nas muitas novenas dos santos de devoção do povo. Sônia Braga conhecia profundamente como se fazia um bom trabalho de base. Destaco que o diferencial era o sentimento de pertencimento e confiança que tínhamos naquela mulher, em cada palavra que afirmava, sem deixar espaço para dúvidas. Sua linguagem e identidade eram as nossas a dos filhos da classe trabalhadora que tomam partido.

Mesmo em meio a muitos desafios conjunturais, foi lançada a candidatura de Sônia Braga para vereadora de Fortaleza, em 2012. Mais uma vez, o sentimento de que “agora chegou a nossa hora” tomou conta da nossa jovem militância, que, mesmo sob ataques, fez uma campanha forte e fundamental naquele momento. Muito tempo depois, entendemos que a estrategista política Sônia Braga tinha como objetivo, naquele
momento, manter viva em nós o sentimento de amor pelo PT e pelo seu papel histórico na vida dos trabalhadores e a defesa do Presidente Lula e das políticas públicas.

Tudo em Sônia Braga era o Partido dos Trabalhadores e o profundo sentimento de pertencimento às lutas históricas da classe trabalhadora. Sou parte da geração que foi forjada por uma mulher negra que soube ser régua e compasso em momentos decisivos da conjuntura de Fortaleza, do Ceará e do Brasil.

Após o encantamento de Sônia Braga, faço parte de uma geração que carrega o sentimento de que é preciso dar continuidade ao seu legado político e, sobretudo, ao seu exemplo pedagógico de profunda escuta, firmeza política e capacidade de estabelecer as alianças necessárias para avançar no fortalecimento do PT e na consolidação das conquistas que tivemos até aqui. É preciso
avançar!

Sônia Braga segue viva em cada gesto de organização popular, em cada casa conquistada, em cada militante formado na luta e no fortalecimento e territorialização do Partido dos Trabalhadores e das Trabalhadoras. Honrar sua memória é dar continuidade ao seu projeto político, com a mesma firmeza, compromisso e amor pelo povo. Seguimos com esperança, tendo como certeza e horizonte que as tarefas políticas e históricas apontadas por Sônia Braga, antes do seu encantamento, serão cumpridas. Vamos, sim, reeleger o Presidente Lula, eleger Guimarães para senador do Brasil e construir uma boa bancada de Deputados Federais do PT Ceará. Minha eterna dirigente Sônia Braga, estamos firmes e fortes, tocando as lutas e os sonhos do presente. Você sempre será bem lembrada entre nós!

*Filho de Sonia Braga, militante de base do Partido dos Trabalhadores no Pirambu/CE

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