TV pública deverá ter caráter educativo, diz Lula
Segundo o presidente, a idéia integra uma série de medidas para reformular a comunicação do governo. “Estou depositando uma expectativa muito grande, porque vamos criar coisas diferentes. Além das publicidades, dos partrocínios, além de cuidar da imagem do governo, além da Radiobrás, que estará subordinada em todo esquema, estamos pensando em ter uma TV pública educativa. Que possa fazer o que muitas vezes a TV privada não faz”, disse durante a posse de cinco ministros, no Palácio do Planalto.
Segundo ele, a rede de TVs públicas pode surgir a partir de parcerias com outras emissoras públicas, como TV Câmara, TV Senado e televisões educativas estaduais. “Não vamos inventar a roda. O que nós queremos é dar oportunidade para um jovem que queira aprender português possa ter aula de português às nove horas da manhã. às onze horas da manhã. Que as pessoas possam assistir a uma peça de teatro pela televisão a uma hora da tarde, ao meio-dia. Que a gente possa ensinar espanhol, ler inglês, que a gente possa ensinar matemática. Que a gente possa ter uma imensa atividade cultural”, explicou.
O presidente Lula enfatizou que o projeto de uma rede de TVs públicas não pode perseguir a audiência. “Se vai ter meio ponto de audiência ou zero não me interessa. O que interessa é que tenha a opção para quem quiser ter acesso a uma coisa de muita profundidade”, disse. “Não queremos competir, só queremos somar, criar oportunidades para que do Oiapoque ao Chuí as pessoas possam ver coisas. E também um programa jornalístico.”
“Eu sonho grande, eu sonho com uma coisa quase 24 horas por dia. Não sei se a gente vai conseguir construir. E que não seja uma coisa chapa-branca. Porque chapa-branca parece bom, mas enche o saco. Gente puxando o saco não dá certo. Temos que fazer uma coisa séria. Não uma coisa para falar bem do governo ou para falar mal do governo. Uma coisa para informar”, defendeu ao enfatizar que essa será uma tarefa grande do novo ministro da Secretaria de Comunicação Social, o jornalista Franklin Martins.
A proposta deve ser discutida em reunião do presidente Lula na segunda-feira, segundo o ministro das Comunicações, Hélio Costa. Ele comentou o projeto ontem (28) durante audiência pública na Câmara dos Deputados, quando comentou a proposta.
Reforma ministerial
Além de Franklin Martins, Lula empossou na manhã desta quinta-feira (29) os ministros Luiz Marinho (Previdência Social), Carlos Lupi (Trabalho), Miguel Jorge (Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior) e Alfredo Nascimento (Transportes).
Lula agradeceu a Luiz Marinho pelo seu trabalho diante do Ministério do Trabalho. “[Agradeço] Pela relação pluralista estabelecida por ele com todas as correntes sindicais e pela sua capacidade de negociação.”
Ao comentar o convite para que Carlos Lupi assumisse o Ministério do Trabalho, Lula disse que “não é novidade a vinda do PDT para o governo”. Segundo ele, não há como esquecer que estiveram juntos desde a campanha das Diretas. “Brizola foi meu candidato a vice, me apoiou em campanha para o segundo turno”, justificou.
“A imprensa cansou de dizer que ele (Lupi) seria da Previdência e acabou no Trabalho. Por que fiz isso? Primeiro porque conheço a competência do PDT (…), porque tem uma história no mundo do trabalho, que começa com tantos intelectuais, passa por Getúlio (Vargas), João Goulart e o nosso saudoso Brizola.”
Ao falar sobre do ministro dos Transportes que deixa o cargo hoje, Paulo Sérgio, Lula afirmou que ele teve um papel importante e que entendeu a urgência do Plano de Aceleração do Crescimento (PAC), com a inclusão da área de infra-estrutura e estradas. “Quero agradecer esses meses de convivência e a sua dedicação”, disse Lula. “Não sei se em algum momento no Brasil, os empresários receberam tão em dia os contratos que pagamos”, afirmou.
O presidente disse ao novo ministro dos Transportes, Alfredo Nascimento, que tem certeza que a pasta estará em boas mãos, “sobretudo agora que o ministério tem muito dinheiro”. “Vamos provar que um pouco de competência e um pouco de dinheiro junta a fome com a vontade de comer”. “A partir de agora estarás subordinado as nossas mesas de negociação e reze para a Dilma (Rousseff) estar de bom humor todo o dia”, disse o presidente ao finalizar sua fala a Nascimento.
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