Lula quer aprimorar relação com EUA sem deixar de fortalecer Mercosul

13/03/2007 Lula quer aprimorar relação com EUA sem deixar de fortalecer Mercosul

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta segunda-feira (12) que quer manter e aprimorar a relação com os Estados Unidos, porém sem deixar de lado o fortalecimento do Mercosul.

“Temos de levar em conta que os Estados Unidos continuam sendo nosso principal parceiro individual, do ponto de vista do comércio, e é o maior investidor individual no Brasil. Portanto, nós temos uma relação histórica. Queremos mantê-la, queremos aprimorá-la, isso sem que nós abdiquemos do nosso compromisso maior que é todo o processo de fortalecimento do Mercosul, a constituição da Comunidade Sul-Americana de Nações e o processo de integração que estamos fazendo”, afirmou no programa de rádio Café com o Presidente.

Lula disse ainda que a parceria com os Estados Unidos na área de biocombustíveis pode mudar a matriz energética mundial. Na última sexta-feira (9), os dois países firmaram memorando de cooperação no setor de combustíveis alternativos e limpos, por ocasião da visita do presidente norte-americano, George W.Bush ao Brasil. Os dois países são responsáveis por 70% do álcool combustível produzido no mundo.

“Eu estou convencido de que Estados Unidos e Brasil, se tiverem disposição de cumprir o protocolo que assinamos, nós estaremos dando uma virada na matriz energética mundial na área de combustível para os próximos 20 ou 30 anos”, afirmou no programa de rádio Café com o Presidente.

Lula voltou a defender que a produção de biocombustíveis seja um mecanismo de ajuda aos países mais pobres. “Nós estamos convencidos de que essa parceria passa por investimentos dos países mais ricos em países mais pobres para que eles possam produzir também o álcool ou produzir o biocombustível, o biodiesel”, disse.

No programa Café com o Presidente, Lula mencionou a criação do Fórum Internacional de Biocombustíveis, lançado no dia 2 deste mês por Brasil, África do Sul, China, Estados Unidos, Índia e União Européia, na Organização das Nações Unidas (ONU). O objetivo do fórum é aumentar a eficiência na produção, na distribuição e no consumo dos biocombustíveis em escala mundial.

Irreversível

O presidente Lula acredita que a transformação do álcool combustível em commodity (produto cujo preço é determinado em bolsa de mercadorias) é um caminho “irreversível”.

Para Lula, quanto mais países começarem a usar o álcool como forma de reduzir a emissão de gases que contribuem para o aquecimento do planeta, maiores serão as chances de o preço do combustível ser estipulado no mercado internacional. “Com relação ao álcool se transformar em commodity, eu acho que é uma questão irreversível. Nós temos de ter mais responsabilidade, porque nós temos que, não só oferecer o álcool, mas garantir o suprimento do mercado brasileiro e do mercado internacional”, afirmou.

Ele garantiu que se o Brasil tiver de produzir mais etanol para atender à demanda de outras nações, não serão sacrificadas florestas ou áreas destinadas à produção de alimentos.

“Nós não queremos plantar cana-de-açúcar para produzir álcool e nem plantar oleaginosas para produzir biodiesel na Amazônia, por exemplo, ou no Pantanal. Nós queremos utilizar as áreas já degradadas para que a gente possa plantar. A segunda coisa, também não compete com o alimento, porque o problema do alimento hoje no mundo não é a falta de terra. O problema é que tem uma parte da população muito pobre que não pode consumir”, explicou Lula.

Reencontro

Lula afirmou que voltará a tratar da questão do biocombustível e da relação com os Estados Unidos no fim deste mês. O Itamaraty confirmou a visita do presidente no próximo dia 31 a Washington, capital norte-americana.

“Queremos mantê-la [a relação com os Estados Unidos], queremos aprimorá-la, isso sem que nós abdiquemos do nosso compromisso maior que é todo o processo de fortalecimento do Mercosul, a constituição da Comunidade Sul-Americana de Nações e o processo de integração que estamos fazendo”.

O presidente falou também, em seu programa semanal, sobre o fim dos subsídios agrícolas concedidos pelos europeus e norte-americanos, reivindicação dos países em desenvolvimento que não conseguem colocar seus produtos agrícolas nesses mercados.

Lula explicou, no entanto, que a União Européia e os Estados Unidos querem, em contrapartida, ter acesso ao mercado de produtos industriais e serviços dos países pobres. Para o presidente, o acordo só sairá se cada um cumprir sua parte.

“Esse tripé, na verdade, esse triângulo que estamos montando, cada um faz um pouco de concessão, é que vai garantir o acordo que todos nós estamos torcendo para que aconteça, porque isso seria a salvação dos países mais pobres”.

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