PNAD mostra crescimento da renda e queda na desigualdade durante o governo Lula
Como o ganho foi maior entre os mais pobres, o IBGE considera que houve “queda na concentração das remunerações”.
Desde 1996 até o ano passado, a renda acumulou queda de 15,1%. Segundo os dados divulgados nesta sexta-feira, pelo IBGE, o rendimento médio apurado em 2005 foi de R$ 805, ou 4,6% a mais do que os R$ 770 apurados em 2004. “Em 2005, o nível da inflação foi mais baixo que o do ano anterior e houve crescimento em setores importantes da economia”, avalia o documento.
No documento de divulgação da pesquisa, os técnicos do IBGE argumentam que a política de redução de juros iniciada no terceiro trimestre de 2003 contribuiu para impulsionar a atividade econômica em 2004, e o ano ficou marcado como o primeiro em que o rendimento não apresentou queda desde 1997.
A inflação mais baixa, aliada ao reajuste do salário mínimo, fez com que os ganhos de renda mais expressivos ocorressem na “metade inferior” da distribuição dos rendimentos, ou seja, na camada dos que ganham menos.
Ainda assim, a renda está 15,1% abaixo da registrada em 1996, ano em que alcançou seu ponto máximo desde o início da década de 1990.
Desconcentração
Entre 2004 e 2005, os 50% dos ocupados com as menores remunerações de trabalho tiveram ganho real de 6,6% e a metade com os maiores rendimentos, de 4,1%.
O levantamento apontou ainda uma redução na fatia do total de rendimentos que os 10% dos ocupados com remuneração mais alta apresentavam. Foram 44,7% do total dos rendimentos contra 47,1% visto dez anos atrás.
No caso dos 10% com rendimento mais baixo, esse indicador saiu de 1% em 1995 para 1,1%. “Esse último resultado contribuiu para a continuação da lenta tendência de declínio na concentração dos rendimentos”, acrescentou o IBGE.
O índice Gini, que mede a distribuição do rendimento, passou de 0,585 em 1995 para 0,544 no ano passado, o menor resultado desde 1981. Quanto mais perto de zero fica o índice, melhor é a distribuição. Em dez anos, esse indicador teve queda de 7%.
Ocupação
A sondagem mostrou também que o percentual de pessoas ocupadas entre a população a partir de 10 anos de idade passou de 56,5% em 2004 para 57,0% no ano passado.
É o maior índice desde 1996 e equivale a 2,5 milhões de pessoas a mais com emprego. “Com o aumento observado em 2005, o nível da ocupação desse ano superou todos os ocorridos de 1996 a 2004”, informou o IBGE.
O nível de ocupação feminina aumentou de 45,6% em 2004 para 46,4%, atingindo o maior nível desde 1992. Em números absolutos, de 2004 para 2005, a população ocupada aumentou perto de 2,5 milhões de pessoas, das quais 52% eram mulheres.
A pesquisa mostra também que o porcentual de pessoas ocupadas do sexo feminino que contribuíam para a Previdência Social cresceu muito mais entre 1995 (39,7%) e 2005 (47,0%) do que aumentou o porcentual dos ocupados do sexo masculino no período (de 45,5% para 48,8%).
Metodologia
A Pnad 2005 ouviu 408.148 pessoas em 142.471 unidades domiciliares em todos os Estados.
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