Unidade e consenso marcam 13º Encontro
Para o presidente do partido, Ricardo Berzoini, o Encontro demonstrou que as várias correntes internas entenderam a necessidade de se trabalhar em função de interesses comuns. “O PT vive hoje uma consciência muito profunda de sua unidade política”, afirmou.
De acordo com ele, as divergências foram acertadas antes para evitar polêmicas desnecessárias no plenário. “A qualidade do encontro foi excepcional. Tenho certeza de que os militantes saíram felizes e satisfeitos com os rumos políticos do partido e seguros com relação aos desafios que temos pela frente”, avaliou.
Durante três dias, os 1.068 delegados (89% dos inscritos), 335 convidados e 79 observadores participaram da discussão de dezenas de teses, emendas e moções, que culminaram com a aprovação de dois documentos básicos: Conjuntura, Tática e Política de Alianças; e Diretrizes para a Elaboração do Programa de Governo.
A íntegra dos documentos finais será colocada no site do PT nos próximos dias.
A grande maioria das propostas foi aprovada por consenso absoluto, sem a necessidade de votação em plenário. Das que foram a voto, a maior parte teve aprovação (ou reprovação) de pelo menos 80% dos delegados.
Apenas duas questões causaram divisões mais acentuadas no plenário. Uma no sábado (29), envolvendo o posicionamento do partido em relação à empresa Vale do Rio Doce; e outra neste domingo, sobre mudança nas regras da contribuição financeira dos filiados.
Proposta apresentada pela corrente Democracia Socialista (DS) pedia uma alteração no Estatuto do PT para que a contribuição financeira dos filiados passasse a ser mensal (hoje é anual). Segundo Carlos Henrique Árabe, que defendeu a idéia na tribuna, a mudança ajudaria a amenizar os problemas financeiros do partido.
Encaminharam contra o secretário de Relações Internacionais do PT, Valter Pomar, e o secretário de Finanças, Paulo Ferreira. Eles argumentaram que a questão financeira é complexa, envolve muitas alternativas e que, portanto, deveria ser discutida apenas no 3º Congresso Nacional do partido, marcado para o segundo semestre de 2007.
No plenário, em voto por contraste (maioria visual), venceu a proposta de Pomar e Ferreira.
Outros documentos
Entre os demais textos aprovados neste domingo, os principais foram: manutenção da política de reforma agrária do governo federal; aprovação do 3º Congresso do PT, com representação direta das bases partidárias; moção de solidariedade aos cinco cubanos presos nos EUA sob acusação de espionagem; intensificação da campanha contra a criminalização dos movimentos sociais; ampliação do debate para democratização do sistema de TV Digital; e a retomada do processo de apuração de responsabilidades nos episódios que originaram a crise política do ano passado. Nesta última proposta, caberá ao Diretório Nacional definir datas e prazos.
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