Candidato da extrema direita vai ter que explicar envolvimento nos casos Master e INSS

21/10/2026

Reqerimento pede apuração do escândalo Dark Horse e ligação de candidato da extrema direita com quadrilha que roubou o INSS

Fonte: PT no Senado
Foto: Reprodução

As Lideranças das Bancadas do PT na Câmara dos Deputados e no Senado irão protocolar requerimento de criação de Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI). A comissão vai apurar os fatos investigados em dois inquéritos que tramitam no Supremo Tribunal Federal (STF) contra o senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ). O requerimento adota como fatos determinados os objetos dessas investigações.

O primeiro inquérito, relatado pelo ministro André Mendonça, trata do suposto financiamento do filme Dark Horse. Foi aberto em julho, a pedido da Polícia Federal e com parecer favorável da Procuradoria-Geral da República (PGR), e apura suspeitas de lavagem de dinheiro, evasão de divisas e corrupção. Segundo as investigações, Flávio negociou com Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, um aporte de US$ 24 milhões (cerca de R$ 134 milhões). Desse total, ao menos US$ 10,6 milhões (cerca de R$ 61 milhões) teriam sido pagos em 2025 por meio de um fundo nos Estados Unidos.

Dois fatos recentes põem em dúvida a versão de que se tratava de patrocínio. Em resposta a pedido do deputado Lindbergh Farias (PT-RJ), o liquidante do Banco Master informou que não há registro contábil ou contratual de patrocínio do banco ao filme. Já o operador das remessas, que firmou delação premiada, declarou à PF que a operação lhe foi apresentada como investimento imobiliário nos Estados Unidos e que não sabia do filme. A origem e a finalidade dos recursos seguem sem explicação.

O mesmo inquérito investiga Eduardo Bolsonaro como possível beneficiário de parte desses recursos. Segundo a PF, ele orientou a gestão do dinheiro nos Estados Unidos por meio do fundo Havengate, sediado no Texas e controlado por um advogado próximo a ele. O fundo estava parado desde 2020 e voltou a receber aportes em fevereiro de 2025, mês em que Eduardo se mudou para os Estados Unidos. Uma das linhas da investigação apura se os valores pagos por Vorcaro custearam a permanência de Eduardo no país e a campanha que ele conduziu junto ao governo Trump por sanções e tarifas contra o Brasil. Por essa atuação, Eduardo já foi condenado pela Primeira Turma do STF por coação no curso do processo.

O segundo inquérito, relatado pelo ministro Alexandre de Moraes, chegou ao STF em 8 de outubro. Ele apura suspeita de lavagem de dinheiro na relação de Flávio com o advogado Willer Tomaz, alvo da Operação Sem Desconto, que investiga fraudes no INSS. A PF aponta Flávio como “usuário master” da conta bancária de uma offshore de Willer em Portugal. Também aponta viagens pagas por uma empresa dona de bet e a movimentação de R$ 130 milhões em conta vinculada ao advogado. Na semana passada, poucos dias depois de o inquérito chegar ao Supremo, Willer viajou para o exterior com a família. A viagem levou a PF a suspeitar que ele pudesse estar tentando escapar de eventuais medidas cautelares.

Os dois casos também se cruzam: a offshore de Willer tem participação em um jato do qual Vorcaro também foi cotista, e Flávio usou a aeronave em janeiro de 2025.

“São suspeitas graves, que envolvem recursos de origem e finalidade ainda sem explicação e relações com investigados nas fraudes do INSS. O Congresso precisa apurar os fatos, esclarecer o caminho do dinheiro e dar respostas à sociedade. A CPMI é o instrumento para investigar essas conexões com transparência e responsabilidade”, afirma o líder do PT no Senado, Camilo Santana.

Em maio, logo após a divulgação de áudios em que Flávio pede recursos a Vorcaro, as bancadas do PT, do PCdoB e do PSOL pediram à PF e à Receita Federal a quebra dos sigilos bancário, fiscal, telefônico e telemático do senador e do banqueiro. A CPMI poderá decretar essas quebras por autoridade própria, sem depender de autorização judicial.

O tema também já passou pelo Congresso sem resposta. Na CPMI do INSS, relatada por Alfredo Gaspar, hoje candidato a vice na chapa de Flávio, nunca foi votado o requerimento para ouvir a administradora do escritório de advocacia do senador. Ela declarou ter assumido a função por indicação de Willer.

PEDRO UCZAI
Deputado Federal (PT/SC)
Líder do PT na Câmara dos Deputados

CAMILO SANTANA
Senador da República (PT/CE)
Líder do PT no Senado Federal

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